sexta-feira, 25 de abril de 2008

O POVO de Luto

Eu sei que eu não passo de uma estagiária, que eu nunca conversei com ele ou o vi andando dentro dessa redação. Mas eu simplesmente não posso me negar o direito de chorar por ver pessoas que eu cativei e que me cativaram tristes. Chorando.
Hoje foi a primeira vez, em dois meses, que eu vi essa redação literalmente parar. Parar ao ponto de fazer um minuto de silêncio. Onde nenhum telefone tocou, onde ninguém gritou. Onde não se puderam ouvir risos ou lamentações.
Hoje, pela primeira vez, a redação parou para ver e ouvir cada edição de jornal que tocava no assunto. Pela primera vez, a redação foi notícia de jornal. E foi a primeira vez que eu vi meus editores chorarem, e ver isso doeu.
Doeu ver os olhos vermelhos, as lágrimas que não cessavam. O aperto que era compartilhado por cada um que via e ouvia. Receber a notícia doeu, vê-los tristes doeu e digerir todo esse clima, em um ambiente sempre alegre, ainda doe.
Eu não sei o que passou pela cabeça dele. Eu não sei como pensar em um suícidio, como disse a Cida: "Eu nunca sei se suicidio é coragem ou covardia. Porque ninguém sabe o peso que o próximo carrega sobre os ombros. A gente tem mania de menosprezar as dores dos outros e aumentar a nossa. Eu não sei o que pensar". Doeu ouvir isso de uma pessoa que eu sempre vi alegre. Doeu vê-la chorar.
Pouco me importa se as pessoas vão achar que eu sou exagerada, que eu não tenho porque estar chorando, que eu não tenho porque sofrer. Mas é como eu disse para o Demitri quando ele me falou: "Ninguém esperava. Ele era doido. Alegre." e eu respondi: "É, mas alegria não quer dizer nada...".
Alegre todos somos, todos fomos ou vamos ser. O problema não é a felicidade, mas o que se esconde por trás dela.
O problema é quando se sente o peso daquilo que carregamos.
O problema é quando os ombros cedem.
O problema agora é: dizer a uma mãe lúcida de 90 anos que o filho querido dela morreu.

domingo, 30 de março de 2008

Nova Fase

dentre linhas está quase de volta.
template novo.
ares novos.
tudo novo.
até a dona, que vem com uma nova visão do jornalismo e do mundo literário em si.



wait and see.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel

Sendo este um blog sobre livros e literatura, é um pouco estranho ainda não termos falado sobre as bibliotecas. Elas que são tão importantes para cada um de nós e mais ainda para os amantes da literatura que encontram nelas o seu refúgio.

Mas mais estranho ainda é constatar que a Biblioteca é um lugar do qual a grande maioria das pessoas costuma fugir, mal sabendo o quanto estão perdendo com isso, pois um mundo pode ser conhecido apenas com o abrir de um livro.

As pessoas não sabem que podem viajar para vários lugares sem precisar sair de casa ao ler uma historia ou poucos são aqueles que se dispõem a saírem de suas casas e visitarem este lugar maravilhoso.

Sim, todos têm uma biblioteca disponível e que pode ser usada quando e como quiser. Aqui em Fortaleza, por exemplo, nós temos a Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel, com seu acervo de mais de cem mil livros.

“Mas uma Biblioteca Pública não é sucatiada?”
Não necessariamente.
A Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel é um bom exemplo disso. Ela possui uma vasta sessão de livros em Braile, de obras infantis e obras Raras. Dentre várias outras distribuídas pelos cinco andares de seu prédio.

No setor de obras raras vamos nos deparar com vários livros antigos que foram restaurados pela própria biblioteca. O processo de restauração é feito por uma equipe de jovens surdos treinados ali dentro mesmo.

Na sessão infantil as crianças podem contar com um lugar limpo e arejado e um acervo de mais de oito mil volumes. É entrar pra conferir e sentir-se uma criança novamente, cercada por livros de ciências e estórias infantis, como as famosas estórias de Monteiro Lobato. Já para aqueles que não podem ter o privilegio da visão, poderão viajar e ler com seus outros olhos o que o acervo da sessão Braile tem a lhes oferecer, um bom exemplo é o exemplar de Melancia, sucesso em vendar, dividido em treze volumes.

Afora tudo isso você também encontra uma sessão de jornais micro filmados, periódicos e muito mais que podem encher os olhos dos curiosos e dos futuros jornalistas que gostariam de conhecer um pouco do passado da cidade.

Resumindo, depois que você a conhece não tem mais como não ter vontade de voltar lá mais e mais vezes. E é assim, também, que você acaba descobrindo não só o prazer da leitura, mas o motivo que levam mais de dez mil pessoas a passarem por lá todo o mês. Que tal dar uma passadinha por lá depois daqui? Topa? Então o que é que você está esperando, tire esse traseiro gordo dessa cadeira e vá já pra lá.



Serviço:
Biblioteca Pública Menezes Pimentel Criada em 25 de março de 1867 como Biblioteca Provincial do Ceará, está hoje integrada arquitetonicamente ao Centro Cultural Dragão do Mar, ocupando uma área de 2.272m2, distribuídos em cinco pavimentos.

Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel
Av. Presidente Castelo Branco, 255 - Centro
CEP: 60010-000 - Fortaleza - CE
Fone: (0xx85) 3101.2546Fax: (0xx85) 3101.2544 - bpublica@secult.ce.gov.br
http://www.secult.ce.gov.br/BPGMP/BPGMP.asp

sábado, 1 de dezembro de 2007

O Show de Truman e o Big Brother


Você já se imaginou tendo a sua vida vigiada vinte e quatro horas por dia? Sete dias por semana? A sua vida inteira e você nem ao menos estar sabendo disso? Não? Nem eu. Mas pra ter uma idéia, do que seria mais ou menos uma experiência assim, basta assistir ao filme O Show de Truman, estrelado por Jim Carrey e um sucesso de bilheteria na época de seu lançamento em 1998.

O filme conta a história de Truman Burbank (Jim Carrey) que nasceu, cresceu e viveu sendo vigiando vinte e quatro horas, a vida inteira, por uma câmera. Não bastando isso a cidade onde vivia, as pessoas com quem convivia, e tudo a sua volta eram falsos.

Isso te lembra alguma coisa?
Acho que sim, um tal reality show de sucesso atualmente.
Começa com B, tem B no meio e B no final.
Alguém adivinhou depois da diquinha?
Pois é.Nosso velho Big Brother Brasil.




A única diferença de que aqui os participantes sabem o que vão ter que passar e que estarão sendo vigiados. Enquanto Truman não fazia nem idéia sua vida era completamente manipulada e assistida.

Desde o seu nascimento ele é vigiado, o dia de seu casamento foi visto por milhares de pessoas ao redor do mundo e a imprensa lucrou milhões de dólares com isso ao fazer com que as pessoas interagissem com o “programa”. Decidindo muitas vezes por Truman o que era ou não melhor para ele.

O filme mostra como a mídia pode tirar proveito das situações mais absurdas para lucrar e como, quando se vê ameaçada, é capaz de tudo para fazer com que tudo permaneça como está. Isso pode ser visto quando sempre que alguém aparece no filme tentando revelar algo a Truman, logo é afastado dele e banido do reality show.

Mas mesmo com seus esforços Truman acaba descobrindo tudo e o reality show chega ao fim com a saída de seu personagem principal do programa e sua vinda para o mundo real.

O final mostra que por mais que a mídia tente controlar a vida daqueles que a utiliza sempre haverão aqueles que acordarão e farão que outros enxerguem além daquilo que lhes é mostrado.



Curiosidades sobre o filme:
Curiosidade 1: Na epoca do lancamento do filme, a Paramount criou um site ficcional (http://www.freetruman.com.br/) onde era disponibilizado posters, banners e mensagens de pessoas contra a 'exeperiencia' feita com Truman. Algo interessante tambem é que todas as ruas da cidade ficcional que reside Truman são batizadas por nomes de atores.

Curiosidade 2: O filme foi indicado a tres Oscar: Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante para Ed Harris e Melhor Roteiro Original. DIferente do Oscar, no Globo de Ouro ele ganhou premios: Melhor Ator - Drama (Jim Carrey), Melhor Ator Coadjuvante (Ed Harris) e Melhor Trilha Sonora. ALem de vencer nessas categorias o filme recebeu indicação para Melhor filme - Drama, Melhor Diretor e Melhor Roteiro.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Do uso da virgula – Parte I



Eu postei aqui falando sobre vírgula e o uso dela, certo? Citei, aqui, o exemplo de uma vestibulanda, desesperada, que não sabe o que fazer com todos os erros de pontuação que dão o ar da graça em suas redações.

Então resolvi seguir a dica da minha mestra Alessandra e dar algumas diquinhas, básicas, sobre o uso da virgula. Falando a verdade: umas pequenas dicas que eu encontrei no caminhar pela ferramenta de busca do Google.
Aqui vamos nós...

- É obrigatória a vírgula para assinalar orações subordinadas que se encontrem no princípio de uma frase, ou seja, antes da principal ou subordinante. Exemplo: Se não tivesse pais, vivia num orfanato.

- É obrigatória a vírgula para assinalar as orações intercaladas. Exemplo: Os dois irmãos, embora se dessem bem, saíam sempre sozinhos.

- É obrigatória a vírgula para assinalar a presença das orações coordenadas adversativas, ou seja, qualquer oração coordenada adversativa é antecedida por uma vírgula ou outro sinal de pontuação forte. Exemplo: Está muito sol, no entanto está frio.

- A regra anterior aplica-se também às orações coordenadas conclusivas. Exemplo: Estás com muita febre, logo ficas em casa.

Nota: Quer as conjunções/locuções adversativas, quer as conclusivas sempre que se apresentem no meio de uma oração vêm isoladas por vírgulas. Exemplo: O Gustavo chegou tarde. Os amigos, no entanto, continuavam à sua espera.

- É obrigatória a vírgula para assinalar orações justapostas. Exemplo: No recreio, os rapazes jogavam à bola, as raparigas conversavam, os contínuos faziam a limpeza do recinto.

- É obrigatória a vírgula para assinalar orações coordenadas copulativas que apresentem sujeitos diferentes. Exemplo: Eu vou passear, e tu vais estudar.

- É obrigatória a vírgula sempre que numa frase haja uma enumeração de orações. Exemplo: Eles jogavam, elas brincavam, os outros cantavam.
Por enquanto é só. Na próxima semana vem a segunda e última parte, nada de trilogia dessa vez, com mais diquinhas e uma luzinha no fim do tunel pra quem ainda se enrola com esses feijõezinhos (como dizia minha professora da primeira série) diabólicos.
Feito?
Feito.
P.S: as dicas foram tiradas daqui

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Distração...

Quase duas semanas sem posts. Mas não é culpa minha, quer dizer, sim, mas é mais porque não encontrei ou não lembrei de nenhum livro bom de que pudesse comentar. Sendo assim, pra quebrar um pouco o ritmo daqui e seguindo a sugestão da minha professorinha, que estar esperando por uma atualização minha, vou falar de algo fora do foco do blog...

Alguém, semana passada, me perguntou como eu fazia pra escrever certo.

"Certo como?"
"Assim, sabe, pausando nas horas certas e essas coisas."

Ah, essas coisas...

Eu tive vontade de fazer como a MTV, só que gritando mesmo: "DESLIGUE A TV E VÁ LER UM LIVRO MINHA FILHA!"
Mas eu fui mais controlada e falei, com um sorriso nada simpático: "Lendo."
"Lendo?"
"É."
"Mas como você sabe quando por as virgulas."
Aqui, a individua, que é pré-vestibulanda (onde esse mundo vai parar meu deus?) me tira uma redação tão vermelha quanto alguém que pegou insolação e onde todas as virgulas foram:
1. riscadas
ou
2. recolocadas
Respirei bem fundo e disse:
"Respirando."
"Que?"
"Respirando. Virgulas são pausas. É pra isso que elas servem."
Daí eu disse que a não ser que ela desejasse ser o futuro Galvão Bueno, ela não precisaria das virgulas.
Porque vamos combinar: "Ronaldinho passa para Robinho que chuta para Kaká que chuta na direção do gol e...é GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL!"
Só assim, né minha gente?
Vamos combinar, por favor.
Agora já sabem e você individua deve saber também como são as virgulas e o esquema simples delas, mas vamos fazer uma equaçãozinha pra ajudar.

Respiração + Virgula = Aprovação no Vestibular.

E pra descontrair um pouco, já que estamos falando em pontuação e tal. Acho muito justo colocar uma prévia do que poderia vir a ser o dicionário cearês. Enjoy...

Bila: bola de gude
Bode: menstruação - estar menstruada
Bunequeiro: que bota boneco. arruaceiro
Cafuçu: gente pobre, cafona
Canelau: gente pobre, pé de chinelo, plebe rude
Chei dos pau: bêbado
Dar o prego: enguiçar. "o carro deu o prego"
De vera: de verdade
Dindin: sorvete de saquinho
É o novo: ironia ao querer dizer que algo ou alguém é velho
Estribado: cheio da grana
Fumando numa quenga: puto da vida
Galalau: grande, alto
Gato réi: mulher da vida
Isgalamido: guloso, esfomeado
Lundu: mal humor, estar de lundu
Macho véi: tratamento - amigo, ô meu...
Melado: bêbado
Ó o mei: sai da frente
Rebolar no mato: jogar fora
Requenguela: desajeitada, malamanhada
Só o mi: só o milho, o ouro, só o filé. diz-se de uma coisa muito boa
Tem é zé: é muito difícil (de acontecer)



Feito?
Feito.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Livros Que Viraram Filmes - Parte III

Nossa trilogia chega ao fim com: Máquina de Pinball de Clarah Averbuck. Camila vai para as telonas em "Nome Próprio" e revela tudo e mais um pouco do que foi dito, não dito, e dito novamente em Máquina.



Você já desejou sair de casa e ir morar sozinha? Mas morar sozinha de verdade em outro lugar, sem gente conhecida, sem esquinas, bares e qualquer coisa conhecida sua ou pelo menos que seja familiar?

Essa foi a vontade de Clarah Averbuck, que se tornou realidade aos vinte e dois anos da autora e, o qual, está presente em sua primeira obra Maquina de Pinball que terá sua pré-estréia nos cinemas nacionais amanhã (eis o motivo pelo qual a autora está quase roando as unhas que lhe foram caras) e sua estréia apenas para o ano que vem.

Máquina de Pinball conta as aventuras de Camila em São Paulo. A menina que acabou de sair de Porto Alegre vive a vida adoidado, usando o melhor termo possível, de modo tão intenso que em sua narrativa não se tem idéia de noite ou dia.

Clarah deposita em Camila as aventuras mais marcantes de seu começo de vida na cidade de São Paulo, onde a falta de grana foi tamanha que teve de dormir em um quarto pequeno onde não caberia nenhum homem deitado.


Camila será vivida por Leandra Leal no cinema. Escolha que a autora adorou, pois acha que a amiga fez um trabalho excelente com sua personagem e curtiu também, de modo geral, o longa, achando-o excelente.


Um pouco de Clarah...Resumidamente a essa altura do campeonato o que eu poderia dizer? Alguém perto dos trinta, com orgulho de tudo o que fez e até daquilo que pretende fazer e pouco se lixando para o que os outros acham ou deixam de achar sobre ela.

Em suma, é isso. Quem quiser conferir o filme, e tiver dinheiro, pegue o primeiro vôo para o Rio de Janeiro a-go-ra. Pois a pré-estréia é amanhã, às 21hrs, no Cine Odeon.

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